domingo, 12 de dezembro de 2010

Partir e voltar.

Há muito tempo eu não vinha aqui
Não abria essa porta
Não sentia esse cheiro
Há muito tempo.

É quase assombroso retornar
Para logo em seguida ter que partir
E partir para poder voltar
Para um dia permanecer aqui.

E enfatizar tudo outra vez
Agora eu sou parte dessa fantasia
Tem de mim espalhado como água
Tem de mim nesse chão de poesia.

Há muito tempo eu não vinha aqui
Nada de nada eu ganhei
Ainda sou o mesmo menino
Eu parti do mesmo jeito que voltei.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Seis versos para quem nunca vi.

Na cidade que não estou
A mulher que não me vê
Não recebe o beijo que não dou

E assim minha alma ferve
E assim minha alma pede
Que seu beijo me espere

Desejo Decadente.

O desejo de seguir em frente
Não é expresso como eu quero
O desejo de expressá-lo
É talvez maior que ele

Mas morremos a cada dia
E a todo momento morremos
E renascemos a cada instante
E renascidos morremos
E somos pó e carne ao mesmo tempo

Rapidamente somos livres
Rapidamente vazios
Rapidamente sofrimento
Rapidamente somos o que somos

Com o sabor do veneno
Ainda fresco na boca
Quer fugir pra bem longe
Mas sabe que não pode

Verso podre e distante
Afiado para o corte
Se estou vivo nas entrelinhas
Nas palavras sou só morte

Sem qualquer luz nos olhos
Tal como homem doente
Sobretudo sobrevivo
Ao desejo decadente

Sr. Mantegna e o poema da vida

Sr. Mantegna está com fome!
Sr. Mantegna vai morrer de fome!
Sr. Mantegna quer as torrentes mórbidas do rio,
Que nem chega a ser rio,
Que é córrego,
Que passa perto de sua casa,
Que nem chega a ser casa,
Que é quarto.
Sr. Mantegna quer um amor de verão
E mais,
Quer que o ano
Seja todo verão
E que a vida
Seja toda ano,
E mesmo sabendo que lhe é proibido
Continua amando
Sr. Mantegna não sabe
Se a noite de domingo foi um sonho
Sr. Mantegna quer dormir
Sr. Mantegna quer sono
E nem chega a ser sono
O que é abandono
E nem é estar abandonado
O que é ser punido
Mesmo sabendo que lhe é proibido
Permitir-se ser amado

Distâncias.

Distante sigo imóvel
Vagando de sala em sala
Aqui tudo é distancia
Distancia é tudo aquilo que nos separa
E há tanta coisa que nos separa...

Não é só esse espaço
As vezes tão distante
Outras vezes tão próximo

Nem esse tempo
Que se faz em um segundo
Outros em mil anos

Distancia é essa ardência
Essas palavras não ditas
O minuto que antecede o beijo
E o beijo que não vem depois

É essa timidez
É todo esse conflito
A noite sem amigo
A falta que você faz

Distancia são as mensagens
Que se dissolvem quando te vejo
São paredes que se modelam
Dividindo nossos desejos

É tudo o que há de notável
E inotavel,
Fora nós
É tudo que há no mundo

Distancia se resume
Em tudo aquilo que existe
Quando não estamos juntos

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Palavra, harmonia e poesia.

Sonho
Calça
Luz
Quente
Onde
Aquilo
Céu
Paz
Você
Chuva
Boi
Outono
Maria
Sussurro
Pão
Caixa
Flor
Amarelo
Janela
Filme
Braço
Fogo
Sentir
Ilusão
A
Nunca
Vão
Luto
Hora
Inicio
Conta
Vento
Amor
Palavrão

Quando qualquer palavra é dita
Com uma certa harmonia
Ela deixa de ser palavra
E se torna poesia

Larissa

Eu nunca me perdoaria
Se eu não houvesse acordado a tempo de ir
Onde eu não sabia que você estava

Não me perdoaria se chovesse
E eu desanimasse de ir
Onde eu não sabia que você estava

Mas eu acordei a tempo
E não choveu
E eu fui!
Mesmo sem saber que você estava lá

Mas eu não me perdoaria
Se não tivesse te amado tanto
Desde o momento em que a vi
Até nossa despedida aos beijos

Você, foi minha amada
Mais do que isso
Você foi minha
Por poucas horas
(Eternas)
Só minha

Quando o dia amanheceu
Já não nos amávamos mais
Éramos distantes
Indo em direções opostas

Fomos vítimas do mesmo acaso
Como tantas vezes fomos
Em outros braços

O nosso acaso
Fez do desconhecido o íntimo
E nos sabemos que acabou

Mas você merece a poesia
Talvez pelos seus olhos
(Encantadores)
Ou pelo seu sorriso
(Sorriso doce)

No reino da poesia
Essa é a sua
Você a fez

E eu nunca vou me perdoar
Se o acaso não te trouxeres
Para qualquer lugar
Onde eu não saiba que você está