quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Palavra, harmonia e poesia.

Sonho
Calça
Luz
Quente
Onde
Aquilo
Céu
Paz
Você
Chuva
Boi
Outono
Maria
Sussurro
Pão
Caixa
Flor
Amarelo
Janela
Filme
Braço
Fogo
Sentir
Ilusão
A
Nunca
Vão
Luto
Hora
Inicio
Conta
Vento
Amor
Palavrão

Quando qualquer palavra é dita
Com uma certa harmonia
Ela deixa de ser palavra
E se torna poesia

Larissa

Eu nunca me perdoaria
Se eu não houvesse acordado a tempo de ir
Onde eu não sabia que você estava

Não me perdoaria se chovesse
E eu desanimasse de ir
Onde eu não sabia que você estava

Mas eu acordei a tempo
E não choveu
E eu fui!
Mesmo sem saber que você estava lá

Mas eu não me perdoaria
Se não tivesse te amado tanto
Desde o momento em que a vi
Até nossa despedida aos beijos

Você, foi minha amada
Mais do que isso
Você foi minha
Por poucas horas
(Eternas)
Só minha

Quando o dia amanheceu
Já não nos amávamos mais
Éramos distantes
Indo em direções opostas

Fomos vítimas do mesmo acaso
Como tantas vezes fomos
Em outros braços

O nosso acaso
Fez do desconhecido o íntimo
E nos sabemos que acabou

Mas você merece a poesia
Talvez pelos seus olhos
(Encantadores)
Ou pelo seu sorriso
(Sorriso doce)

No reino da poesia
Essa é a sua
Você a fez

E eu nunca vou me perdoar
Se o acaso não te trouxeres
Para qualquer lugar
Onde eu não saiba que você está

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Tamirys

Encontrei em você

O sonho perdido

Pela rotina eletrônica do dia


Em seu olhar

Um suave decompositor

De meus problemas e tristezas


Em sua voz

O mais doce anestésico

Para dores cardíacas


E em seu sorriso

Uma força de atração

Que supera a gravidade

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Linhas de transmissão.










Linhas e mais linhas de transmissão,

Transmitindo por todas as salas o seu não,

E os seus motivos pra ser feliz

Passam de um milhão,

Mas nada te satisfaz

O amor, a desordem,

Pra você tanto faz,

Se eu te amei, foi só ontem,

Hoje, já não amo mais.

E se eu morrer,

Alguém vai dar um jeito de te avisar,

Pelos campos, pelo céu, pelo mar,

Alguém vai falar,

Linhas e mais linhas de transmissão,

É, é um caso a se pensar,

Com tanta tecnologia

Vale a pena tentar,

Mas você nem sabe o que se passa,

Ah, se eu morrer,

Mas passo bem, mas vivo feliz,

E sei tudo sobre você,

Linhas e mais linhas de transmissão,

Tirando meu sono,

Trazendo até mim

A sua informação,

Diretamente interligados

Por linhas e mais linhas de transmissão.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Impossível

É impossível escapar da morte

Como é impossível escapar dos teus cabelos

Sentir o cheiro deles e não desejar tê-los

Dividindo o mesmo travesseiro

Impossível

Olhar

A poesia é feita de mentiras
A real verdade está no olhar
No olhar do pobre que anseia
Pelo leite, pelo pão
No olhar do traidor
Implorando o perdão
No olhar da doce amada
Vendo o fim se aproximando
No olhar do operário
Transbordando de cansaço
No olhar de Colombo
Quando avistou a América
No olhar de Larissa
Ao me buscar durante a festa

Isso sim é poesia
Que depois de codificada
Em palavras disfarçadas
Tornam-se despercebidas
Para quem não conhece
Os olhares dessa vida

Mas aquele que buscar
E procurar bem de perto
Encontrará o olhar
Que o poeta escondeu
Nas palavras de seu verso.

domingo, 14 de junho de 2009

A dramática palavra.

Chegamos à algum lugar

Tivemos como guia o acaso

Reuniões de códigos decifrados

Encontramos a dramática palavra


A última palavra dita

No maior encontro da sua vida


A última palavra ouvida

Pelo amigo que morreu


Essa palavra sem nexo

Sem intervalo

De impossível analise


É ela que ecoou no vale

Que percorre os trilhos do infinito

Desfigurada, perdida, insubstituível


Descarga absurda de sentimento

Eternamente distribuído

Em um som que vai além

Muito além do permitido


Fora do alcance de ensaios

Fruto do puro improviso


O calculo exato de toda palavra

O gesto flexível que se faz o drama


O último toque na pessoa amada

O último toque naquele que ama


Ah, a dramática palavra

Forma insegura de vida

Decomposição automática

De toda palavra contida


O último pedaço de voz

A despedida involuntária


Encontramos agora

O que a vida nos resguarda

Como uma última chama

A dramática palavra:

esperança

Alguma coisa qualquer.











Vou pra casa me apaixonar

Por alguma coisa perdida

Que esteja por lá...

Por algo esquecido

Quero uma paixão qualquer

Qualquer foto

Verso

Qualquer mulher


Qualquer mulher que cruze comigo

Estou indo me apaixonar

Se encontrar pelo caminho

Por lá mesmo fico

Nem acabo de chegar


Um sorriso qualquer

Um segundo de choro

Um ensaio de abandono

Qualquer coisa que apareça

De repente

E me encante


Estou indo pra casa

Quem sabe o que encontrarei lá?

Seja o que for

Eu darei uma chance

Estou disposto

A me apaixonar

sábado, 13 de junho de 2009

Sugestão.

Aqui, onde estamos

Não há sentimentos

Apenas crises existenciais

Nada de mais


Se me pergunto sobre meu problema

E não acho solução

Procuro não acreditar

Que um dia houve preocupação


Se me desfaço nessa bagunça

Sem mesmo dar opinião

Esqueço o que já fui um dia

Aqui só existe ilusão


O fato é que, analisado

Dou a seguinte sugestão:

Antes viver no pecado

Que morrer na solidão.

Ação do tempo.

Apodrece, apodrece e apodrece...

Que mais pode o tempo

Se não fazer apodrecer?

Apodrece o ferro

O concreto

O silencio

Apodrece o corpo do morto

Que, em meias tantas aventuras

Nunca se esqueceu de apodrecer

E também a fruta

Que fica tão doce e madura

Pra depois apodrecer

O apodrecimento é constante

O tempo também é constante

Constantes são as coisas

Que torturam o coração

O que é vivo apodrece

Apodrece o que é morto

Mas o que não existe

Esse nunca apodrecerá!

Eu morri.

Eu morri e nem percebi,
Morri sem ter filhos,
Morri sem sorrir,
Morri como os que morrem
Dormindo no avião que cai,
Como morrem as flores,
Pisoteadas de repente,
Eu morri sem dor,
Sem nem mesmo estar doente,
Como quem morre de amor,
Ou como quem nada sente,
Morri sem velório,
Sem missa de corpo presente,
Sem enterro,
Sem ritual,
Eu morri, simplesmente,
Morri sem último pedido,
Sem ultimo direito,
Sem ultimo beijo,
Sem ultimo delírio,
Só morri e mais nada,
Como um indigente na estrada,
Não tive viúva,
Não tive lágrima,
Nem desespero,
Eu morri e ninguém percebeu,
Não tive despedida,
Ninguém me disse adeus,
Não era tarde de domingo,
E nem manhã de verão,
Não tive flores me cobrindo,
Nem sete palmos de chão,
Não tive salva de tiros,
Eu só morri,
Morri e nem percebi,
Morri,
No exato momento em que te perdi.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Cidade pequena-vida pequena



Não seria tão importante

Se fosse tão fácil

Na cidade pequena

A vida é pequena

Pequenos retalhos

Pequenos pedaços

Pedaços invisíveis

Invisíveis partículas

De vida

Em vida

Cidade pequena-vida pequena

Tudo simples

Como o galo cantando

Como a criança sonhando

Nessa vida tão pequena quanto

Essa cidade tão pequena

Ah, como eu amo

Eu amo aquela morena

É ela que faz essa vida

Ter um pouco de grandeza

E não ser assim

Totalmente tão pequena

Aqui nessa cidade

Onde tudo é tão perto

Tão amável

Tão bonito

Tão pequeno

Cidade pequena-vida pequena

Tão delicada

Que ganhou um poema

Ganhou palavras

Ganhou um pouco mais de tudo

Cidade pequena

Vida pequena

Amor pequeno

Pequeno mundo

Momentos, instantes

Milésimos de segundo

Assim é a vida

Nessa pequena cidade

Onde eu morro de saudade

Da minha doce morena

Mas não seria tão importante

Se fosse tão fácil

Cidade pequena-vida pequena

Tudo aqui é tão bom

Que a vida se faz eterna

sexta-feira, 13 de março de 2009

Quando a vejo

I

Quando a vejo

Cada milímetro do meu corpo

Individualmente

Explode de desejo

É fogo avassalador

Cavalo troteiro

É fome

É sede

É dor

Loucura instantânea

Prova física de amor

Colapso mortal

Cem desertos de calor

II

Quando a vejo

É vontade!

De devorar seu corpo inteiro

É gritar, gritar e gritar...

E calar de desespero

É um não é que nunca foi

E se vai ser eu não percebo

É assim que acontece

Toda vez quando eu a vejo

O sabor de Minas











Não fui a Europa

Mas conheço bem

O sabor de Minas

Suas laranjeiras e suas goiabeiras

Por entre as montanhas

Cortadas pelas ruas estreitas

O incomparável sabor dos sons

Que cada esquina toca

Formando uma orquestra sinfônica

De desejos em chamas

Creio que não há sabor melhor

Que o da tarde mineira

Os homens e seu baralho

As mulheres lavando o passeio

O sonho da cidadezinha

Decifrado entre canteiros

Ah Minas!

Onde o sotaque

Rompe a barreira da gramática

E o povo sonha com um futuro

Igual ao presente

Com esse mesmo sabor

De luz solar na grama verde

E criança a procura

Do pé-de-manga perfeito

Minas e seus sorrisos

E suas tristes despedidas

Quem vai sempre volta

Quem vem sempre fica

Eu não fui a Europa

Minas me deixa satisfeito

Enquanto calado lá fora

O mundo sonha em ser mineiro

Vida bagunça


Ah vida de desilusões

Vida repelida em partículas de desespero.

Vida confusa, cheia de erros

Ah, amores distantes

Doenças incuráveis

Tão estranhas

Porção sonora de medo

O beijo sem beijo

O caminho do descuido

Tudo tão assim

Tudo tão absurdo

Tão apavorante

Que causa arrepios

Toda noite

Frio na barriga

Suor nas mãos

Ah, essa vida

Tão perdida

Quanto quem a vive

Vida bagunça

Que eu nunca quero fugir

Nunca quero sair

Quero sempre aqui

É muito bom estar feliz

E difícil também

Mas o mundo fez de nós

Amadores de natureza

E não há nada mais

Que possamos ser

Além de amar, amar

E amar

E viver