segunda-feira, 16 de março de 2009

Cidade pequena-vida pequena



Não seria tão importante

Se fosse tão fácil

Na cidade pequena

A vida é pequena

Pequenos retalhos

Pequenos pedaços

Pedaços invisíveis

Invisíveis partículas

De vida

Em vida

Cidade pequena-vida pequena

Tudo simples

Como o galo cantando

Como a criança sonhando

Nessa vida tão pequena quanto

Essa cidade tão pequena

Ah, como eu amo

Eu amo aquela morena

É ela que faz essa vida

Ter um pouco de grandeza

E não ser assim

Totalmente tão pequena

Aqui nessa cidade

Onde tudo é tão perto

Tão amável

Tão bonito

Tão pequeno

Cidade pequena-vida pequena

Tão delicada

Que ganhou um poema

Ganhou palavras

Ganhou um pouco mais de tudo

Cidade pequena

Vida pequena

Amor pequeno

Pequeno mundo

Momentos, instantes

Milésimos de segundo

Assim é a vida

Nessa pequena cidade

Onde eu morro de saudade

Da minha doce morena

Mas não seria tão importante

Se fosse tão fácil

Cidade pequena-vida pequena

Tudo aqui é tão bom

Que a vida se faz eterna

sexta-feira, 13 de março de 2009

Quando a vejo

I

Quando a vejo

Cada milímetro do meu corpo

Individualmente

Explode de desejo

É fogo avassalador

Cavalo troteiro

É fome

É sede

É dor

Loucura instantânea

Prova física de amor

Colapso mortal

Cem desertos de calor

II

Quando a vejo

É vontade!

De devorar seu corpo inteiro

É gritar, gritar e gritar...

E calar de desespero

É um não é que nunca foi

E se vai ser eu não percebo

É assim que acontece

Toda vez quando eu a vejo

O sabor de Minas











Não fui a Europa

Mas conheço bem

O sabor de Minas

Suas laranjeiras e suas goiabeiras

Por entre as montanhas

Cortadas pelas ruas estreitas

O incomparável sabor dos sons

Que cada esquina toca

Formando uma orquestra sinfônica

De desejos em chamas

Creio que não há sabor melhor

Que o da tarde mineira

Os homens e seu baralho

As mulheres lavando o passeio

O sonho da cidadezinha

Decifrado entre canteiros

Ah Minas!

Onde o sotaque

Rompe a barreira da gramática

E o povo sonha com um futuro

Igual ao presente

Com esse mesmo sabor

De luz solar na grama verde

E criança a procura

Do pé-de-manga perfeito

Minas e seus sorrisos

E suas tristes despedidas

Quem vai sempre volta

Quem vem sempre fica

Eu não fui a Europa

Minas me deixa satisfeito

Enquanto calado lá fora

O mundo sonha em ser mineiro

Vida bagunça


Ah vida de desilusões

Vida repelida em partículas de desespero.

Vida confusa, cheia de erros

Ah, amores distantes

Doenças incuráveis

Tão estranhas

Porção sonora de medo

O beijo sem beijo

O caminho do descuido

Tudo tão assim

Tudo tão absurdo

Tão apavorante

Que causa arrepios

Toda noite

Frio na barriga

Suor nas mãos

Ah, essa vida

Tão perdida

Quanto quem a vive

Vida bagunça

Que eu nunca quero fugir

Nunca quero sair

Quero sempre aqui

É muito bom estar feliz

E difícil também

Mas o mundo fez de nós

Amadores de natureza

E não há nada mais

Que possamos ser

Além de amar, amar

E amar

E viver